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Vamos nadar?





A natação é considerada uma das modalidades desportivas mais completas que existem. É indicada tanto para quem quer ganhar massa muscular como para quem procura definição ou perder calorias. Além disso, mais do que um exercício saudável para o corpo e para a mente de todos os grupos etários, é uma atividade que pode ter influência noutro tipo de competências individuais, como a capacidade de gerir melhor o tempo.


Pedro Gaspar


“Existe literatura que suporta cientificamente os benefícios da natação. Podemos destacar, por exemplo, o facto de a impulsão da água permitir com que uma pessoa consiga fazer um exercício quase sem gravidade. Essa mesma impulsão permite, também, fazer o retorno do sangue venoso, o que possibilita um trabalho no meio aquático com vários tipos de população”, explica Pedro Gaspar. Segundo o coordenador da equipa técnica de natação dos ginásios GoFit, a impulsão da água é favorável, por exemplo, a uma pessoa com uma patologia articular já que promove a liberdade de movimentos e facilita a execução de exercícios aquáticos que fortalecem a nível muscular e ósseo. “Em todos os movimentos realizados, o coração tem de bombear sangue, o que obriga a que haja uma circulação sanguínea e, consequentemente, um fortalecimento do coração e do sistema cardiovascular”, explica.


BEBÉS TÊM MEMÓRIA AQUÁTICA

Na verdade, os benefícios da natação são tão diversos que até bebés com menos de um ano de idade já estão nas piscinas a aprender a nadar.


Ana Santos

 
“O contacto com a água já vem desde a nossa vida intrauterina, por isso os bebés têm como que uma memória desse ambiente e ao entrarem na água nota-se que se sentem à vontade”, afirma Ana Santos, coordenadora técnica do GoFit Campo Grande. “Quer na área do desenvolvimento motor, quer nos campos cognitivo e emocional, nota-se uma diferença entre as crianças que têm esse contacto com a água desde muito cedo e as que não têm”, acrescenta.
 



Embora não exista uma idade fixada como certa para se iniciar a prática da modalidade, recomenda-se que seja “bem cedo”. Existem escolas cujas aulas de natação para crianças começam a partir dos quatro meses, mas a maioria é aos seis meses. “Claro que se começar aos seis meses a adaptação vai ser totalmente diferente até porque nessa idade ainda há reflexos natatórios que vão desaparecendo, mas que se mantêm ativos até por volta dessa idade”, sublinha Ana Santos. E exemplifica: “O reflexo da glote permite mergulharmos um bebé de seis meses na água sem que este se engasgue, pois ainda tem o reflexo ativo que lhe bloqueia automaticamente a respiração. Este bebé poderá não se assustar tanto quanto um bebé de um ano ou de um ano e meio na mesma situação que estará mais consciente de todo o espaço e meio envolvente e terá de reaprender esse reflexo”.


PREVENÇÃO DE LESÕES

Os benefícios da prática de atividade física em meio aquático, além de incluirem o desenvolvimento motor, cognitivo e emocional das crianças, abrangem a prevenção de lesões não só das crianças, mas também dos adultos. “Além de ter uma componente cardiovascular, porque nadamos no sentido contrário ao que estamos habituados quando nos deslocamos, a natação obriga-nos a usar um grande grupo muscular e a fazer movimentos muito amplos. E, neste plano, o coração tem um papel fundamental porque tem de conseguir bombear sangue para todo este exercício. É por esta razão que se diz que é um desporto completo”, explica Pedro Gaspar. Depois, também existe o facto de o risco de lesão ser extremamente baixo uma vez que, ao potenciar o desenvolvimento muscular, a flexibilidade aumenta e os tendões e ligamentos acabam por ficar mais protegidos. O impacto deste benefício é sobretudo sentido por pessoas com mobilidade condicionado. “Uma pessoa que vai perdendo toda a mobilidade articular e muscular, dentro de água não sente impacto. E depois com a pressão hidrostática da água, o retorno em termos venosos permite uma circulação a nível cardíaco também”, relembra o professor de natação.
 


 
CARDÍACOS: PRECAUÇÃO Q.B.

É verdade que a natação dá resposta a uma série de patologias, no entanto, como em qualquer outra atividade física, é importante haver alguma precaução sobretudo pelo grupo de doentes cardíacos, já que a prática implica uma respiração ritmada. “O meio aquático trata-se de um meio que é totalmente hostil ao ser humano. Não somos seres aquáticos, o que fazemos é uma adaptação ao meio, pelo que a respiração tem de ser contrária à que estamos habituados a fazer”, afirma Pedro Gaspar. “Na natação temos de inspirar pela boca e expirar suavemente e de forma prolongada pelo nariz ou nariz e boca, sendo que poderá haver momentos de apneia. Daí que pessoas com problemas cardíacos tenham de ser monitorizadas com cautela, não significando isto que não possam praticar natação”, ressalva.


ALEGRIA NA TERCEIRA IDADE

Quando entramos na piscina, a força hidrostática exercida pela água ajuda o corpo a sentir-se mais leve e a deslocar-se mais facilmente. Uma condição que favorece a prática de natação por parte da população idosa. “A natação na terceira idade é espetacular. É muito reconfortante ver a alegria das pessoas dentro de água a realizarem exercícios que fora de água não conseguiriam. Dentro de água até conseguem fazer jogos atrás de uma bola”, conta Pedro Gaspar. No entanto, continua o técnico de natação, “se um idoso de 80 anos não complementar a natação com um treino em terra vai sentir limitações a levantar sacos do chão, por exemplo, porque vai ter de se baixar para os apanhar e na natação não praticamos o agachamento. O trabalho de força é feito fora de água”.
 



Perante cada caso, é possível adequar os exercícios de acordo com a condição física de cada pessoa. Por isso, não há nenhuma patologia que impeça alguém de entrar dentro de água, a não ser alguma alergia de pele à água tratada.


TODOS PARA A PISCINA

Atualmente há cada vez mais pessoas a praticar natação e fazem-no cada vez mais cedo. Existe um processo de evolução em termos de sociedade em que se começa a perceber que a prática de exercício físico no geral é benéfica para a saúde. O investimento nas estruturas físicas desde há 50 anos para cá também permitiu o alargamento da modalidade a mais pessoas de outras classes.
 



Segundo Pedro Gaspar, as piscinas têm grande procura nas grandes cidades e a existência de programas que incentivam a prática da modalidade têm contribuído decisivamente. “Por exemplo, a Câmara Municipal de Lisboa tem a natação curricular que permite que as crianças do primeiro ciclo do ensino público tenham doze aulas durante seis semanas. Ou seja, durante o primeiro, segundo, terceiro e quarto ano vão ter seis semanas de aulas de natação. Muitas delas estabelecem aí o primeiro contacto com a água e depois acabam por procurar espaços para dar continuidade à prática”, explica.


O CLORO FAZ MAL À SAÚDE?

De acordo com Pedro Gaspar, especialista em natação, em Portugal “a norma está muito bem balizada em relação à quantidade de cloro que as piscinas devem ter”, pelo que não há motivos para alarme. “Enquanto profissional considero a questão do cloro muito bem controlada, pois a vigilância que as piscinas têm é extremamente rigorosa”, refere. “Além de existirem as análises internas de cada piscina, há ainda empresas externas que fazem o controlo à água e também existe a delegação de saúde que faz um rastreio”, acrescenta.




A NATAÇÃO PODE ESTAR NA ORIGEM DE CONSTIPAÇÕES?

Este é ainda um estigma na sociedade, explica Ana Santos, professora de natação. “Muitas vezes, os pais atribuem a causa de o filho ficar doente à ida à natação. Mas, na realidade, se as crianças forem assíduas, terão menos probabilidades de contraírem qualquer doença porque o seu corpo cria mais defesas”, clarifica.




A NATAÇÃO PODE AJUDAR NO DESENVOLVIMENTO DE OUTRAS COMPETÊNCIAS?

“Uma criança que tenha rotinas e que pratique uma atividade física tem melhor rendimento escolar, já que passa a perceber que tem tempo para estudar, para brincar e para praticar atividade física”, assegura Pedro Gaspar.




Já a professora de natação Ana Santos vai mais longe. “Os atletas de alta competição têm quase todos boas notas na escola porque começam desde muito cedo a gerir o tempo. Tornam-se muito mais objetivos e eficazes naquilo que querem fazer já que o seu tempo é mais limitado”.



 


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